REMINGTON 65

A música não ajuda nada mais nada menos que a desestruturação de minha mente...

Monday, February 27, 2006

Quando meu sonho se foi no Rio das onças, eu deitei sobre a relva da caatinga e olhei o vôo do Sanhaçú. Fiquei extasiado com o que eu vi...
Sua pluma era exatamente igual a minha imaginação encarnada em alma viva...
Seu vôo plainava sobre os carnaubais enquanto meu sonho se distanciava em direção aos açudes sem-fim...
Nunca mais vi aquele sorrizo no rosto de quem me acompanhava...
Enquanto os sóis se distanciavam ao horizonte, a minha imaginação trasfigurava-se na pluma de mil aves de rapina. Sua visão sobrevoava sobre o horizonte, e meu desejo de viver caminhava sobre a linha da terra...
Nunca mais vi o sorriso da alma de meu sonho outra vez...
Pois eu estava vendo o Sol se por sobre a alma do Rio das palmeiras pela última vez...
Este sonho se foi, como vários outros teus e meus pela mata adentro. Eu não os quiz gerá-los como vós também não quiz acompanhá-los...
Jamais quizeste guardá-los para si. Pois os sonhos são livres como a pluma das aves...
Meu sonho se foi pela última vez ganhar as águas profundas dos açudes infinitos. E foi a última vez que o vi em vestimenta sentimental.
Foi-se cantando as canções de meus avós, até não se ver mais ao horizonte...

Eu me vi embaixo da Carnaubeira cantando os povos de outrora...
Chorando as últims lamentações de meus sonhos...

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