O beijo e os pássaros
O beijo na penumbra castiga e atiça o desejo de toque na pele
O beijo fascina e leva por caminhos de adrenalina na neblina.
A rua ainda deserta...
As pessoas ainda deitadas esperando a cidade que ainda nina...
Os pássaros são como “voyeurs” na penumbra e cada um beijo animam os seus cantos cada vez mais. Os pássaros vêem o toque no seio. O dia amanhece, os pássaros não se permitem voar, tamanha a voracidade do beijo e dos abraços.
O suor aquece e evapora...
O beijo anima-se e a rua também acorda...
É hora de dormir...
A separação é eminente.
E assim como foi a chegada do beijo, assim se faz à saída dele...
Do nada ao nada...
E os pássaros voltam a cantar roucos por um raio de Sol.
Desesperados por não poderem ver o fim daquela loucura insana dos dois seres que se beijavam na penumbra do raiar do dia...
Pois estavam loucos demais para acreditar no passado e no que viria a se seguir daqueles dois.
Os pássaros estavam loucos, mas sabiam exatamente que deveriam cantar até o fim dos tempos...

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