Olhar os céus e estes mudaram, o chão que antes pisava, descalços os pés não mais sentem o frescor do chão, a cera de carnaúba, folhas, areia de praia...
Olhar o horizonte cheio de barreiras inúteis que barram as luzes do fim do dia, e as barreiras que comprimem a inúmeras luzes sobre nossas cabeças...
Distâncias que iludem e confundem...
Mundos novos tão distantes de minha imaginação, quanto inacessíveis a alma...
O chão talvez, fosse o mínimo das coincidências que me assolavam nesse sonho.
Cada vez mais indiferente a minha alma, que passeava em vários mundos...
Eu esperava pacientemente por isso...
Saltar das núvens, caminhar pelos cajueiros, sentir as folhas dos coqueiros e correr sobre as ondas na praia de Sabiaguaba. Ver dunas móveis caminhando sobre a cidade enquanto naus submersas ressucitam o Rio das Palmeiras, sepultado em galerias de esgoto...
Sua alma dorme e jaz debaixo da cidade, débilmente desfigurada, rendida e fadada ao desespero de jamais ver as mudanças das horas sobre os céus...
Sentir novamente esse ar que me movia sobre a Serra de Maranguape, suas lagoas, núvens, caminhos sobre a restinga, meus amigos que tanto amo e que também moram dentro de mim. Ouvir a música dos tapebas...
Ouvir a música dos ventos e correr sobre a maresia que paira sobre as flores de Mandacarú. As lagoas de chuva nas praias...
As imagens de um mundo meu...
Carroceiros Pipa...
Cavaleiros de Açougue...
Vendedores de Remédio...
Os sons de um mundo meu...
"Iô! Pamonha..."
"Peixe..."
Os cantos dos vendedores...
Vendem de tudo.
Vendem até suas almas...
Caminhar pela cidade...
A cidade que me chama...
A cidade que aprisiona meus sonhos...
A cidade que me leva todas as noites a perambular sobre ela...
A cidade...
Olhei o céu...
Este não me mostrou nada de novo.
Continuou o mesmo de sempre...
E como sempre desde o dia anterior...

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